Quais são as fontes de criatividade e inovação nas pessoas e nas empresas?

A capacidade de gerar ideias originais para a inovação de processos, produtos e serviços tem sido proclamada como a chave para se obter e manter vantagens competitivas num ambiente caracterizado por mudanças aceleradas e feroz competição.

Contribuições criativas dos empregados em todos os níveis da organização têm sido consideradas como fundamentais em todas as discussões sobre inovação. Mas como a criatividade pode ser cultivada, desenvolvida e sustentada no ambiente de trabalho? Quais fatores no ambiente de trabalho são importantes e podem ser manejados para despertar e tirar proveito da criatividade individual? Seriam incentivos financeiros, pressão por resultados rápidos, competição, cooperação, treinamentos, ou o que mais?

Teresa Amabile, professora na Harvard Business School, tem se destacado como pesquisadora do tema criatividade no ambiente empresarial. Seu trabalho tem trazido importantes revelações sobre os fatores que influem de forma positiva ou negativa na criatividade dos trabalhadores. Em resumo, seus estudos concluíram que o desempenho criativo surge da combinação de três componentes essenciais: expertise, habilidade de pensamento criativo e motivação.

Fontes de Criatividade

Expertise

Abrange tudo que a pessoa sabe e pode fazer no seu campo de trabalho. Inclui seus conhecimentos, experiência e habilidades requeridas no campo de trabalho. Este componente inclui também o talento básico de pensar cientificamente e de explorar e resolver problemas no seu campo de atuação. Em resumo, não se consegue ser criativo no campo da mecânica, se não for um expert em engenharia mecânica.

A especialização num determinado campo é essencial, mas pode ser também um fator de limitação da criatividade em situações que podem ser beneficiadas pela intersecção com outros campos de trabalho. Conhecimentos e informações sobre outros campos podem ser valiosos; quanto mais amplo o conhecimento, maior a possibilidade de se produzir ideias alternativas ou de se fazer novas combinações de ideias e tecnologias aparentemente discrepantes. Por exemplo, hoje vemos vários exemplos de soluções inovadoras no diagnóstico e tratamento de doenças resultantes de conexões entre a medicina, a nanotecnologia, a biotecnologia, a tecnologia da informação e outras tecnologias.

 Habilidade de pensamento criativo

Com que flexibilidade e imaginação a pessoa aborda os problemas e desafios – a capacidade de gerar ideias originais ou de fazer novas combinações com as ideias existentes. Esta habilidade depende muito da personalidade e da maneira como a pessoa pensa e seu estilo de trabalho.

Com relação a personalidade, as pessoas criativas se destacam pela mente aberta, curiosidade, otimismo, perseverança, disposição para enfrentar desafios. Você pode ler mais sobre as características das pessoas criativas no artigo 10 atitudes das pessoas muito criativas.

O estilo de pensamento é ditado pela combinação de importantes habilidades mentais:

  1.  Habilidade de formular os problemas e desafios de uma forma desafiadora e construtiva.
  2. Habilidade de reconhecer e de se livrar dos bloqueios mentais que aprisionam a criatividade, como o receio de errar, medo do ridículo, suposições, preconceitos, fixação profissional, etc. Estes e outros tipos de bloqueios à criatividade são discutidos no artigoBloqueios à criatividade.
  3. Compreensão e domínio do processo criativo e de ferramentas e técnicas de criatividade.
  4. Habilidade de combinar processos, ideias, objetos e outros elementos existentes ou de criar novas e variadas soluções.
  5. Habilidade de suspender o julgamento e separar a fase de geração de ideias da fase de análise e seleção de ideias.

Um estilo de trabalho que conduz à criatividade é o terceiro elemento das habilidades do pensamento criativo. Este elemento se caracteriza pela:

  1. Disciplina e habilidade de concentrar esforço e atenção por um longo período de tempo.
  2. Persistência em face de dificuldades e frustrações.
  3. Elevado grau de autonomia.
  4. Independência de julgamento.
  5. Tolerância a ambiguidade.
  6. Disposição para assumir riscos.
  7. Alto nível de energia, o desejo de trabalhar duro e um nível elevado de produtividade.

Algumas das habilidades de pensamento criativo dependem da personalidade do individuo. Outras, contudo, podem ser desenvolvidas por treinamentos e pela experiência na geração de ideias e na solução de problemas.

 Motivação

Expertise e pensamento criativo são as matérias primas que as pessoas levam para seu trabalho. Mas um terceiro componente, a motivação, determina como estes recursos serão utilizados. A geração de ideias criativas requer níveis elevados de energia e engajamento, que somente serão atingidos por pessoas motivadas e dispostas a saírem de suas zonas de conforto. Muitos estudiosos consideram a motivação como o mais importante componente da criatividade.

Os estudos de Teresa Amabile consideram dois tipos de motivadores intrínsecos e extrínsecos e concluíram que os primeiros são os mais importantes para a criatividade.

A motivação intrínseca é aquela que vem do interior da pessoa, o interesse e a paixão pelo seu trabalho. A criatividade floresce quando há paixão pelo trabalho, e somente há paixão quando temos a oportunidade de seguir nossa vocação, aplicar nossos talentos e crescermos profissionalmente.

A verdadeira criatividade é impossível sem alguma medida de paixão. O melhor modo de ajudar as pessoas a maximizar seu potencial criativo é permitir que elas façam algo que amamTeresa M. Amabile: Creativity in Context

A motivação extrínseca vem de fora da pessoa, sob a forma de premiação (cenoura) ou castigo (cacete). Ambas as formas de motivadores extrínsecos podem levar a resultados contrários a desejada criatividade. Em alguns casos podem ser vistos como forma de controle e interferência no processo criativo. Em outros, a disputa pelo prêmio, ou o medo do castigo, podem conduzir a geração de ideias pelo caminho mais curto e seguro, ou seja, a ideias óbvias e conservadoras. Em resumo, os motivadores extrínsecos isoladamente são incapazes de gerar criatividade. Se usados com inteligência, podem, no máximo, servirem de reforço aos motivadores intrínsecos.

Fonte: http://criatividadeaplicada.com

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