O que é MPS.BR?

MPS.BR é a sigla de Melhoria de Processos do Software Brasileiro, modelo este que foi criado pela Softex e patrocipado pelo MCT. Mas o que é isso afinal de contas?

O MPS.BR é uma adaptação para as empresas brasileiras – em especial micro, pequenas e médias empresas – de um modelo de maturidade de processos de desenvolvimento de software conhecido internacionalmente como CMMI-DEV.

O que é o MPS.BR

É um modelo de maturidade de processos relacionados com o desenvolvimento de software. Esse modelo foi adaptado de um outro modelo conhecido internacionalmente (e de muito sucesso) como CMMI-DEV para a realidade das empresas brasileiras. Isso foi necessário por que o CMMI-DEV prevê o amadurecimento dos processos em apenas cinco níveis. E, com o tempo, percebeu-se que a coisa tinha de funcionar de forma mais gradual aqui no Brasil. Daí quebraram os cinco níveis do CMMI-DEV em sete, que vão do G ao A, e fizeram alguns pequenos ajustes.

O que é um modelo de maturidade de processos?

Toda empresa ou indivíduo que desenvolve software já faz isso por meio de algum processo. Esse processo pode ser caótico, obscuro e até mudar constantemente, mas não deixa de ser um processo. E isso nada mais é do que uma seqüência de atividades. Mesmo que você não se dê conta disto, tudo que você faz no trabalho de desenvolvimento de software segue uma seqüência de atividades. Às vezes essa seqüência não é fixa. Às vezes essa seqüência não segue uma ordem lógica. Às vezes essa seqüência provoca algum retrabalho. Mas perceba que sempre existirá uma seqüência. Às vezes essa seqüência já é eficiente, mas ninguém mais além de você sabe como funciona. Um modelo de maturidade de processos serve para corrigir esses e muitos outros problemas.

O MPS.BR descreve um modelo de amadurecimento gradual dos processos de desenvolvimento de software. Ou seja, você não precisar melhorar tudo de uma vez. Pode fazer isso aos poucos, de forma gradual. É para isso que servem os níveis de maturidade.

Vale ressaltar que o MPS.BR é apenas um modelo. Ninguém é obrigado a segui-lo a risca. Mas… ele é uma coletânea das melhores práticas relacionadas com o desenvolvimento de software. Assim, talvez valha a pena considerá-lo se não no todo, mas em parte. Entretanto, como ele é uma adaptação do CMMI-DEV, essas melhores práticas foram coletadas em outros mercados como EUA e Europa principalmente. E isso pode por em dúvida a aplicabilidade dessas supostas melhores práticas a nós, brasileiros. Essa dúvida, porém, só o tempo poderá dirimir.

O que é um processo maduro?

Ótima pergunta!
Dizer que um processo é, ou não, maduro pode gerar muita polêmica. Um processo é maduro quando ele é previsível, é estável e atinge os resultados esperados – poderiamos adicionar o baixo custo, mas isto normalmente é consequência. Mas a dificuldade é justamente medir os resultados e o custo pois em nossa área não há muito a cultura de se trabalhar com dados e as decisões são tomadas muitas vezes com base em percepções e não em resultados.

Portanto, para saber se um processo é ou não maduro, precisamos primeiro conseguir medi-lo. E é justamente esse a base para o objetivo final do MPS.BR: conseguir medir o desempenho dos processos, predizer seu comportamento futuro e melhorar sempre. Em teoria, uma empresa no Nível A do MPS.BR conhece plenamente o desempenho de seus processos e os fatores que os influenciam. Ao descobrir que um processo qualquer não é maduro, cabe à empresa encontrar formas de amadurecê-lo DE FATO, mas isto acontece fortemente no MPS.Br nível B – até chegar à ele você (vamos dizer) organiza a casa.

Na prática, as empresas já terão subsídios para amadurecer os processos desde o Nível F. Ou seja, não se precisa esperar até o Nível A para tomar alguma ação corretiva, elas podem (e devem) ser tomadas desde os níveis iniciais.

Que ações a empresa precisa tomar? O MPS.BR não diz. Ainda bem!

E para que um processo possa ser medido e corrigido ele precisa ser transparente, medido e gerenciável. Tudo gira em torno disso. Se um processo não é transparente, então não pode ser medido. Se não pode ser medido, então não temos como saber se os seus resultados são os melhores possíveis a um determinado custo. Se um processo não é gerenciável, mesmo que se possa medi-lo, então não se pode corrigi-lo, melhorá-lo. Se não podemos melhorá-lo, não podemos amadurecê-lo. Essa é a lógica da coisa toda.

Maduro para quem?

Maduro para todo mundo, ora bolas!, mas especialmente para as gerências e alta direção. Lembre-se: quando vir a palavra maduro, pense em transparente, medido e gerenciável. Nunca esqueça isso.

Porque meu gerente está especialmente interessado nisso?

Lembra do transparente, medido e gerenciável? Pois é. Se o processo é transparente, o seu gerente sabe exatamente o que você está fazendo ou deve fazer e o que você pode fazer. Sabe se você está enrolando o serviço. Sabe se você precisa de ajuda para cumprir o prazo. Pode até conferir o que você já produziu.

Se o processo é gerenciável, o seu gerente pode aproveitar o que você já produziu e te substituir por outra pessoa para que você toque outra atividade. Pode colocar mais alguém para te ajudar. E pode até pedir para você refazer algo antes que seja tarde demais.

Quando o processo é transparente, ele deixa de ser aquela caixa preta que ninguém além de você sabe como funciona.

Quando o processo é transparente, fica mais fácil saber quais são os bons funcionários e quais não são. Fica mais fácil premiar o bom desempenho. Um processo maduro depende menos dos indivíduos. E também fica mais fácil identificar quem só esta fazendo marketing e não esta trazendo resultados.

Ah, então devo me preocupar com o meu emprego?

Sim e não.

Se você é um mau funcionário, o MPS.BR vai deixar isso mais evidente pois, como já falei, os processos vão ficando cada vez mais transparentes. Mandar-te embora é uma decisão do seu gerente – o MPS.BR não obriga nenhuma empresa a fazer isso!

Acontecerá justamente o contrário se você for um ótimo funcionário. O MPS.BR vai deixar isso mais evidente e, talvez, você seja até promovido. Na pior das hipóteses, você vai continuar se destacando como bom funcionário. Note que o MPS.BR pretende tornar os processos menos dependentes de indivíduos. Repito: indivíduos. Todo processo sempre dependerá de uma boa equipe. E bons gerentes escolhem bons funcionários para as suas equipes. Ou seja, se é bom funcionário, está dentro!

Ok, mas onde entra a documentação nisso tudo?

Sabia que você ia tocar nesse assunto. Após a implementação do MPS.BR, seja qual for o nível, não é raro os desenvolvedores reclamarem da quantidade de documentação que eles precisam produzir. Esse problema, contudo, varia de empresa para empresa.

O MPS.BR não obriga nenhuma empresa a produzir os artefatos A, B ou C. Na verdade, ele não te obriga a ter um único documento. Você precisa sim ter evidências de que realizou determinadas atividades, mas isto pode ser provado de várias formas.

Algumas empresas utilizam formulários de preenchimento manual, outras utilizam ferramentas onde o preenchimento é quase automático e outras como as com modelos SCRUM usam métodos totalmente diferentes. Se você não está contente com a forma como alguns artefatos são produzidos, procure a área responsável e sugira melhorias. O MPS.BR só é viável se todos se comprometerem com o modelo. Se isso não está acontecendo na sua empresa, a alta direção deveria promover isso com incentivos concretos. Só treinamento não basta.

Para que serve essa documentação toda?

Já que você insiste no assunto, vamos lá! Pessoalmente, também não sou muito fã desses artefatos. Mas acredito que sempre há uma forma mais fácil e simples de produzir a documentação implícita no MPS.BR.

Outro problema é que normalmente a gente só sente falta de um determinado documento em uma situação de conflito. Imagine a situação onde você fechou com o cliente que o relatório de vendas vai ser apresentado como uma página web comum. Quando você chega na validação ele comenta que não era nada disso e que o que ele tinha pedido era um relatório com opção para imprimir, com paginação e que permitisse exportar para excel e tivesse um pivot table. Se você não documentou o primeiro pedido imagine de quem será a culpa pelo prejuizo?

Mas em linhas gerais, essa documentação toda serve para tornar o processo mais transparente e segurança para ambos os lados.

Ouvi dizer que tudo precisa ser um projeto; isso é verdade?

Sim e não.

Mas isso não deve ser problema. Você pode aplicar o MPS.Br em Projetos e demandas contínuas como fábrica de código, testes, especificação, etc. Mas mesmo estes trabalhos de demandas contínuas podem ser chamados de projetos. Chego até a dizer que mudando um pouco a terminologia de Software, podemos aplicar o MPS.Br em diversas outras áreas.

Mas… voltando a projeto: O que é um projeto afinal de contas? Projeto é um trabalho com escopo, custo, início e fim determinados e normalmente ele cria algo único. Mas isso é óbvio! E na verdade tudo que é desenvolvido é algo novo. Se não é novo, já existe e, portanto, não precisa ser feito. Logo, o que precisa ser feito é sempre algo novo em menor ou maior escala. Pense sobre isso. Tirando a correção de erros, TUDO é novo no desenvolvimento de software.

Assim, perceba que não faz diferença chamar o seu trabalho de projeto. Concordo que é um erro do MPS.BR exigir uma rotulação para os trabalhos. Mas, já que não faz diferença, o que custa atender?

Ah, mas um projeto é mais burocrático…

Novamente, sim e não. Como já disse, tudo depende da sua empresa. Algumas atividades são necessárias não por simplesmente existir um projeto, mas por que o processo precisa ser transparente e gerenciável. Nunca esqueça disso.

Preciso de alguma ferramenta?

Não. Mas o uso de algumas fica implícito no MPS.BR. Ou seja, não é algo obrigatório, mas muitas vezes é desejável. Lembre-se que as ferramentas existem para agilizar os trabalhos, reduzindo o tempo e consequentemente o custo.

Como exemplo, você pode fazer um controle de configuração através de uma estrutura de diretórios no windows, com (por exemplo) pastas e mudanças nos nomes dos arquivos. Isto vai levar um determinado tempo para fazer e consequentemente um custo. Já se você colocar uma ferramenta para apoio como SVN, Sharepoint ou até mesmo o Source Safe você economizará no mínimo metade do tempo (e consequentemente metade do custo).

O que a empresa ganha com isso?

Relacionados ao MPS.Br há poucos estudos, todavia se olharmos o CMMI (que é a mesma coisa) podemos ver que normalmente as empresas aumentam significativamente sua produtividade, assertividade nas estimativas, aumentam a satisfação de seus clientes, reduzem consideravelmente os custos e aumentam a qualidade de seus produtos. Estes mesmos estudos indicam que o retorno do investimento ocorre rapidamente.

Conheço quase 15 casos aqui no Brasil de implementações com MPS.Br e posso dizer que os patrocinadores estão muito contentes com os resultados obtivos e estão buscando os níveis posteriores pois perceberam que “valeu a pena”.

10 Passos para criação de modelos de previsibilidade

  1. Identifique as áreas de negócio chave na organização
  2. Identifique os processos (ou sub-processos) críticos e seu desempenho (Y) atual
  3. Identifique os fatores (X) que podem influenciar o desempenho do processo
  4. Colete os dados dos processos críticos e dos fatores e elimine as causas especiais
  5. Realize testes de correlação entre os fatores e o processo crítico
  6. Não esqueça de verificar o P-Value de cada fator, P-Value geral, valores de VIF, R (Square) ajustado, sinais, etc
  7. Selecione uma equação válida com fatores relevantes e com uma boa representatividade
  8. Apresente o desempenho histórico (baseline) do processo e seus fatores
  9. Defina ações para melhorar o desempenho de cada fator
  10. Automatize a equação de regressão para facilitar seu uso

Fonte: Blog CMMI

Um pensamento sobre “O que é MPS.BR?

  1. Pingback: Análise de Processos de Negócio – Metodologia de Modelagem | AGRECOM

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s