Data center móvel: estratégia itinerante de negócios

O mercado brasileiro de data center está em ebulição. Os empreendimentos nessa área vivem um momento de expansão, tanto no setor comercial quanto no corporativo para atender às demandas de TI, que aumentaram com o aquecimento da economia, e também para preparar o terreno para nuvem. Com essas necessidades, empresas começam a olhar uma nova alternativa para construções de centros de dados. São os sites encaixotados e em contêiner, que seguem os negócios aonde eles estão com instalações em estacionamento, no mar, em hidrelétricas ou na montanha.

Chamados de Container Data Center (CDC), os novos modelos de centros de dados não têm o objetivo de substituir as construções tradicionais em alvenaria. Segundo especialistas, eles são mais para atender necessidades específicas dos negócios.

Esses projetos têm como público-alvo provedores de internet que precisam expandir rapidamente a infraestrutura de TI, órgãos públicos, empresas de extração de petróleo, obras civis, mineradoras e companhias que realizam eventos temporários como as que promovem shows e competições esportivas, entre outros negócios.

A principal vantagem desse modelo, na avaliação de consultores do setor, é a possibilidade de montagem e desmontagem rápida dos centros de dados, uma vez que eles são móveis e podem ser transportados em caminhão para qualquer lugar.

Atentas a essas necessidades, multinacionais que fornecem esse tipo de data center como IBM, HP, Verari, Huawei, Ice Cube, Oracle/Sun e Emerson Network reforçaram suas estratégias para atrair clientes no Brasil. Elas enfrentam a competição com companhias locais. Entre as quais a Aceco, que já construiu mais de 450 centros de dados convencionais no País e América Latina, e que fechou seu primeiro contrato de CDC com a Pado, fabricante de cadeados e fechaduras.

Outra empresa nacional que acaba de entrar nessa briga é a Gemelo, que investiu 2 milhões de reais para iniciar operação com a fabricação no País de CDC montado com tecnologia nacional.

O interesse dessas organizações em participar dos investimentos em data center contêiner no Brasil não é à toa. O crescimento da economia local está obrigando as companhias a investirem mais em infraestrutura de TI ou na contratação de serviços de outsourcing para sustentar a expansão de suas operações. Além disso, elas apostam nesse tipo de solução para atender às demandas da Copa do Mundo e das Olimpíadas.

Quem precisa de CDC?

Esse movimento está acontecendo também nas companhias que optaram por manter suas infraestruturas dentro de casa. Elas precisam ampliar seus centros de dados para atender aos negócios e algumas estão optando pela solução móvel, como é o caso da Pado. A fabricante estava com seu data center físico defasado e em vez de construir um novo prédio, decidiu encaixotar a TI num contêiner e colocá-la no pátio da matriz, localizada na cidade de Cambé no Paraná.

“Optamos por esse tipo de data center para ganharmos mobilidade. A Pado está crescendo muito rapidamente e com a solução contêiner podemos movimentar nosso data center para qualquer lugar”, informa o gerente de TI da Pado, Gustavo de Lion Yamane.

O executivo conta que antes de investir no projeto fez um estudo comparando custos entre uma obra física e o CDC para atender às necessidades da Pado por um período de cinco anos. Foram avaliados 14 fornecedores da solução móvel com visitas a instalações no exterior. A companhia analisou ainda a possibilidade de terceirizar a infraestruturra de TI.

No final das pesquisas, a Pado optou pela solução móvel que, segundo Yamane, foi a que respondeu melhor aos requerimentos da Pado.

“O valor que aplicamos é quase o mesmo que iríamos gastar em um data center físico”, comenta o executivo que destaca como vantagens desse modelo a mobilidade e a rapidez na instalação. O CDC foi montado em 90 dias.

O data center móvel da Pado ocupa uma área de 30 metros quadrados e foi construído pela Aceco. Segundo Fernando Almeida Prado, diretor de Marketing da fabricante, o CDC está equipado com o que há de mais moderno e oferece a mesma proteção dos modernos centros de dados erguidos com paredes de tijolos.

De acordo com ele, a segurança é a mesma das salas-cofres certificadas outdoors. O data center encaixotado também é contra incêndio, explosões e acidentes naturais.

A Universidade Mackenzie também optou por um CDC, que guarda todos os servidores que processa os dados da TI da instituição. O contêiner com todas as medidas de segurança foi instalado no pátio do campus no bairro de Higienópolis, na cidade de São Paulo. O projeto foi implementado pela Oracle com servidores da Sun em parceria com a Huawei Symantec.

Vantagens do data center contêiner

Segundo Sidney Fabiani, presidente da Gemelo, uma das vantagens do CDC é a rapidez na instalação. Segundo ele, um data center contêiner pode ser instalado em até 60 dias. Ele destaca ainda que esse tipo de solução apresenta redução do consumo de energia de mais de 40% e atende todos os requisitos de segurança.

Fernando Almeida Prado, diretor de Marketing da Aceco, complementa que os CDC são modulares e podem crescer de acordo com a necessidade dos clientes, acrescentando novas caixas, como peças do jogo lego, sem parar a TI.

O data center móvel pode ser transportado e instalado até na montanha. O executivo da Aceco menciona o projeto da mineradora Collahuasi, que instalou uma solução dessa no deserto de Atacama, no Chile, a mais de 4 mil metros de altitude.

Mesmo com essas vantagens, Almeida Prado, acredita que o CDC não vai substituir os data centers de tijolos, pois essa solução é uma alternativa para situações em que as empresas não conseguem colocar a infraestrutura de TI em prédios convencionais.

Fonte original: http://computerworld.uol.com.br

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